O ato de ensinar é tão antigo quanto a humanidade, ele aconteceu ao longo dos tempos de diferentes formas. A escolarização, e o consequente “início”, se é que se pode dizer assim, da profissão docente é recente, surgiu há apenas 300 anos. No Brasil, a profissionalização dos professores se estabeleceu no século XVIII, mas apenas no início do século XX começou a ser ampliada.
Depois de ser durante muito tempo um espaço para os filhos dos ricos, a escola no Brasil, que se inaugurou com o ensino jesuíta, passou a ser, por causa da Constituição de 1934, gratuita e obrigatória, tornando-se assim espaço de convivência entre filhos de diferentes classes.
Segundo Penin, a democratização da escola aproximou a instituição da gama de diferenças existentes na sociedade, diversificando assim a “cara” dos alunos que faziam a escola. Essa ampliação do acesso ao conhecimento, segundo a autora, levou a pauperização da profissão docente, pois à medida que a escolarização básica ficou mais acessível a todos, maiores eram as chances destes educandos, nem sempre bem preparados, chegarem ao nível superior.
No caso dos professores, a quantidade de cursos de nível superior contribuiu para o acesso à profissão docente. A ascensão das “classes trabalhadoras” aos postos de educadores, segundo a autora, pode ter sido uma das explicações para o “aparecimento de representações sociais de desvalorização”.
Os sistemas de avaliação externos de aprendizagens importantes para a discussão sobre o trabalho docente. A baixa qualidade da escola pública fica estampada e os professores consequentemente passam a ser mais cobrados
pela sociedade.
A identidade e os saberes docentes, necessários para uma formação plena, estão atreladas a dois conceitos bem importantes salientados no texto: a profissionalidade e a profissionalização.
A vivência da profissão e de todo o cotidiano que a envolve, se relaciona diretamente com a formação da identidade, e nesse sentido nasce e se desenvolve também a nossa profissionalidade, que, segundo o texto, é a fusão entre a profissão e a nossa personalidade. A profissionalização, todavia, define o processo de formação do indivíduo em uma profissão, ela inicia-se na escolha desta profissão e no curso a ser seguido e segue através da formação continuada. Estimular o desenvolvimento da profissionalidade dos docentes e também o seu processo de profissionalização ocasiona melhorias na qualidade do ensino escolar.
Os saberes docentes compreendem saberes sistematizados, ligados à sua profissionalização, e também saberes concebidos, derivados de experiências vividas pelo educador em diferentes grupos sociais. São estes os saberes que nortearão o docente nos acontecimentos do dia-a-dia escolar. O verdadeiro alcance dos objetivos do processo de ensino-aprendizagem dependem não só domínio do conteúdo, mas principalmente do sentido que o docente atribui ao que está ensinando. E este sentido só é construído por sujeitos inacabados, docentes em formação contínua.
Biliografia:
PENIN, Sonia. Profissão docente e contemporaneidade. In: PENIN, Sonia; MARTINEZ, Miguel; ARANTES, Valéria Amorin (org.)
Profissão Docente: pontos e contrapontos. São Paulo: Summus, 2009. p.15-40.
Inspirada na aula da Professora Cláudia Freitas...
O conteúdo.
E o sentido a ele atribuído.
* Obra de Giuseppe Arcimboldo.